quinta-feira, 28 de maio de 2009

Arvorania - Cidadania das Árvores

Árvores são pessoas, do reino vegetal. Existem pessoas do reino mineral, pessoas do reino animal racional e pessoas do reino animal irracional.

Foi o antropocentrismo que inventou que o homem é o centro do universo. E com isso o homem ignorou a mulher, ao longo dos séculos. Foi preciso chegar o feminismo, só no século XX para começar a restaurar as coisas.

O antropocentrismo também inventou guerras, bomba atômica, poluição, devastação das florestas, exploração econômica, política e social de um grupo sobre o outro, de um país contra outro e lamentáveis tragédias atuais.

O antropocentrismo também inventou, entre suas mazelas, o racismo; e na época da escravidão afirmavam que os índios e os negros não tinham alma.

Agora, surge na Escócia um movimento ecológico onde as pessoas falam e conversam com as árvores. Na Tailândia, praticantes budistas vestem as árvores com os mantos dos monges e as reverenciam como se fossem iluminadas, e de fato são.

Mas isso não é novidade, desde os anos 1970, a Literatura Brasileira tem um ótimo livro chamado “O Meu Pé de Laranja Lima”, de José Mauro de Vasconcelos, onde um menino conversa com a cítrica árvore. Diga-se de passagem que a equivocada e elitista crítica ignorou, solenemente, este grande autor.

Na civilização das árvores, que está em extinção, nunca houve violência.

Pode-se argumentar que não há lógica, pois a civilização consiste no realizar, no fazer, no transformar humano. Ora, Antropocentrismo e Lógica formam um casal poluidor. Ainda bem que os filhos: lógica contemporânea, não-lógica, qual-lógica, lógica de quem, lógica para quem começam a questionar.

É da Escócia também, que vem o excelente O Chamado das Árvores, de Dorothy Maclean, editora Irdin, 168 páginas. A sexagenária autora conversa, ouve, medita e reza com as árvores.

Também não é novidade, desde o século VI antes de Cristo, o Buda, em seus mais antigos pronunciamentos também conversava, meditava e ensinava não só ao reino vegetal, como aos espíritos que moram nas árvores.

Mas é bem provável que o citado casal: Antropocentrismo e Lógica, julgue tudo isso, ficção, algo que só existe no maravilhoso Reino da Literatura.

sábado, 16 de maio de 2009

O Binóculo

Li hoje, na edição on line, da revista Época, que o Pentágono americano (esclareço a nacionalidade, pois na Cidade Maravilhosa há um colégio de ensino médio de mesmo nome, que talvez não tenha nada a ver com a instituição que fica nos EUA, mas sim com a figura que aprendemos em geometria) está investindo uma fortuna, aos meus olhos, para inventarem um binóculo capaz de ler os pensamentos do inimigo, do adversário ou coisa que o valha.

Como os meus pensamentos andam a mil, já estou imaginando a invenção dando certo e propagando-se pelo planeta: os camelôs vendendo na esquina, homens e mulheres se olhando mutuamente nos transportes públicos, cada um descobrindo os pensamentos dos outros, a China produzindo o referido em massa e inundando os mercados mundiais, os eleitores olhando os políticos com este binóculo, enfim, maravilha das transparências !

As polícias esclareceriam rapidamente os crimes e a justiça seria bem mais rápida. A criminalidade iria diminuir bastante: as vítimas já perceberiam no inconsciente ou subconsciente dos seus candidatos a algozes, as tentativas de crimes, e sairiam correndo, ou desviariam do sujeito, enfim, um mundo de paz estaria próximo.

Brincadeiras a parte, torço mesmo, com toda sinceridade pelo sucesso do invento, visto que, mais uma vez, a ciência estaria ou melhor, estará confirmando as sábias palavras do meu querido e dileto amigo Buda, quando, no século VI antes de Cristo, afirmou que tudo, nasce primeiro na mente.

Proponho até, já um nome para este importante objeto: Budóculo. Claro, mistura de binóculo com Buda. Ou se preferirem, o olho de Buda, ou então Terceira Visão Portátil.

E tal como os celulares, relógios de pulso etc. Cada um teria ou terá o seu Ajna Chacra (o nome em sânscrito da Terceira Visão) personalizado.

E viva o futuro ! Pode parecer tolice mas, os meus saltitantes pensamentos estão gostando do tema.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

A Arte da Gravura

A artista plástica Heloisa Pires Ferreira, suas gravuras, sua vida dedicada à arte, ao longo dos últimos 50 anos, e seus bordados foram tema do mais recente número da importante revista acadêmica publicada pela USP – Universidade de São Paulo, trata-se da edição 48, março de 2009, Revista do Instituto de Estudos Brasileiros.

São 30 páginas e mais 20 fotografias coloridas de trabalhos da citada artista organizadas pelos professores doutores Leon Kossovitch e Mayra Laudanna.

Palavras chave: artes, estética, gravura, bordado, linguagem.

Resumo: Apresenta-se aqui, a obra e a linguagem de Heloisa Pires Ferreira a partir de suas gravuras e tecidos, assim como de diversas entrevistas concedidas pela artista.

A aluna da USP, Paula Galasso, em sua monografia, no final da graduação, enfocou a vida e a obra da referida artista.

Em 2003, o livro Convite à Filosofia, de Marilena Chauí, editora Ática, teve como capa uma gravura da artista. Na página 110, ao falar de Silogismo, o texto é ilustrado novamente com a gravura e a legenda: “Sol negro, de 1978, gravura de Heloisa Pires Ferreira que serve como exemplo visual de silogismo: o quadrado externo seria a premissa maior, e o círculo negro, a premissa menor. No centro, a conclusão”.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

O Capitalismo de Desastre

Em um artigo no site Entre Textos (www.dilsonlages.com.br), um leitor me questionou porque eu falava mal do capitalismo. Democraticamente respondi e o parabenizei, porque expressou o seu pensamento, ainda que discordante do meu.

Mas agora, o texto abaixo não é meu. É apenas uma micro-resenha. Inclusive o título, trata-se, na verdade, do livro A Doutrina do Choque, cujo subtítulo é “A Ascensão do Capitalismo de Desastre”, de autoria da jornalista canadense Naomi Klein, editora Nova Fronteira, 592 páginas. Confira www.novafronteira.com.br/adoutrinadochoque

A autora, que ficou famosa por estar à frente do chamado “movimento antiglobalização”, defende a tese de que estamos assistindo à ascensão do “capitalismo de desastre”, uma mutação do velho colonialismo que encontra nas tragédias ocorridas em países em desenvolvimento uma ótima oportunidade para aumentar a margem de lucro das corporações.

Naomi Kleian também é autora de outro polêmico livro: “Sem logo: A Tirania das Marcas em um Planeta Vendido”.

Depois do caos, o lucro... informa o anúncio da editora.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Obama e o Lingüista

O Portal Vermelho, do PC do B, (www.vermelho.org.br) que é da base aliada do governo Lula, traz uma entrevista com o conceituado lingüista norte americano Noam Chomsky. A entrevista foi publicada originalmente no jornal Rússia Today e, entre outras, o conhecido escritor declara: “Em minha opinião, Obama parece mais violento e agressivo que Bush... Os EUA precisam da OTAN para expandir a guerra...”.

O citado portal informa que “o professor Chomsky é um encarniçado crítico da OTAN e da política dos EUA”.

- A matéria lembra um ótimo artigo do professor Rogel Samuel, publicado em Entre Textos (www.dilsonlages.com.br) com o título “Obama vai a guerra”.

- um dos problemas de se levar tropas da OTAN para o Afeganistão é que a guerra pode explodir no colo da Europa. Resta saber se os europeus querem isso.

domingo, 5 de abril de 2009

Salve Artur da Távola

Salve Artur da Távola, as pessoas estão dizendo que você morreu, mas nós, budisticamente, sabemos que você continua vivo, e bem vivo, na dimensão espiritual em que agora se encontra.

Lembro de você, Artur, no antigo Auditório Gil Vicente, da antiga Faculdade de Letras, da UFRJ, na antiga Avenida Chile, onde hoje estão construindo dois espigões.

Lembro de você, nesse auditório, fazendo palestras para nós, estudantes de Literatura Brasileira, em diálogos literários e lingüísticos e entre outras, criativamente, nos declarando que, uma das funções do escritor é “levantar a saia da palavra para ver o que está escondido ali” tal e qual um menino descobrindo os primeiros prazeres.

Lembro de você em conversas com o CA, o Centro Acadêmico, nos primeiros encontros pró Anistia Ampla, Geral e Irrestrita.

Lembro de você quando Leonel Brizola voltou do exílio e o repórter perguntou ou comentou algo sobre Artur da Távola e o depois governador eleito disse que conhecia Paulo Alberto, uma referência a você quando era deputado e foi cassado pelas posições nacionalistas.

Lembro de você em recente crônica no jornal O Dia, com o título: “Tal como o petróleo, o bondinho é nosso”, associando a histórica campanha dos anos 50: “O Petróleo é Nosso”, com a heróica luta da Amast – Associação de Moradores e Amigos de Santa Teresa, RJ, pró-bondinho-social.

Lembro de você nos memoráveis, educativos e excelentes programas da Rádio MEC sobre música clássica, a vida e a obra dos grandes compositores.

Salve Artur, por essas e por outras é que, budisticamente, reafirmamos, você continua vivo e bem vivo, na dimensão espiritual em que agora se encontra.

Obrigado, reverências, muita paz e muita luz !

- texto publicado originalmente no boletim “Adote Uma Árvore” que circula no bairro carioca de Santa Teresa, em maio de 2008, ocasião do falecimento deste grande brasileiro.

sábado, 28 de março de 2009

Às Beldades Paraibanas

O título acima é do grande poeta brasileiro Augusto dos Anjos (1884-1914). Ele afirmava que a beleza da mulher paraibana é “filha única do Céu” e costumava cantar em versos “a graça, a beleza e o fulgor da mulher de sua terra”.

Tais poesias foram publicadas em um “famoso jornalzinho mundano”, o Nonevar, em 1907. O nome deriva-se dos “nove dias de festejos de Nossa Senhora das Neves”.

São várias poesias e várias homenageadas. Vejamos uma:

Pupu F.

Quando ela vem, cheirando a nardo santo
Luminosa coluna no ar se eleva
E o reino demoníaco da treva
Desaparece como por encanto.

Força é que extraordinária ode encomiástica
Melhor que o Pean e o canto das sereias
Celebre suas régias graças, cheias
Dos magníficos dons da força plástica.

E tudo ante ela, envolta em nítido halo,
Como uma subserviente vassalagem
Venha trazer-lhe, à guisa de homenagem,
A alma reconhecida de vassalo.

A publicação citada mais abaixo traz a foto de Leopoldina Fernandes, “na intimidade Pupu”, esclarece ainda que ela era “de estatura mediana, tinha os olhos miúdos e claros como os seus cabelos. Inteligente, refletida, plena de ternura, seu trato confirmava, integralmente o apotegma do filósofo de As Confissões: - o bom não é senão o belo posto em ação”.

Curiosamente, o paraibano Augusto dos Anjos, faleceu na cidade de Leopoldina, MG, cidade de mesmo nome de sua homenageada.

(as informações acima estão em Poesias de Augusto dos Anjos Às Beldades Paraibanas, da historiadora Célia Câmara Ribeiro, em 1994. Sua interessante pesquisa teve como base um outro livro, Augusto dos Anjos e Sua Época, de Humberto Carneiro da Cunha Nóbrega, reitor da Universidade Federal da Paraíba, em 1962).