quarta-feira, 8 de junho de 2011

O exemplo de JK

Eu era criança, tinha três anos, naquele tempo não existia TV, mas ouvi no rádio, e também vi a minha família comentando sobre a “Revolta de Jacareacanga”, quando um grupo de militares da Aeronáutica se amotinou naquela região do Pará. Durou de outubro de 1955 a janeiro de 1956.

Com sabedoria, o então presidente Juscelino Kubistchek sugeriu e o Congresso aprovou uma “anistia ampla e irrestrita” para os revoltosos que voltaram aos seus quartéis.

Lembro desse fato agora, com o episódio dos Bombeiros do RJ e também dos 13 militantes do PSTU que foram presos durante a recente visita do presidente Obama.

Penso que, a bem da democracia, os dois grupos, merecem ser anistiados. E todos, lucraremos com o diálogo.


domingo, 29 de maio de 2011

Comunismo = Espiritualidade

Professor de Filosofia e amigo do pedagogo Allan Kardec, o fundador do Kardecismo, Leon Denis (1846-1927) em seu livro Socialismo e Espiritismo, ao discordar dos métodos da então nascente URSS – União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, faz a apologia do Socialismo Cristão Espiritista e às páginas 78 e 79 ele declara:

“Longe de nós a intenção de criticar os comunistas de convicção sincera que desejavam estabelecer sobre a Terra o regime social que reina provavelmente nos mundos superiores, (o grifo é nosso), onde todos trabalham para cada um e para todos, com um espírito de abnegação, de devotamento absoluto a uma causa comum. Esse regime exige qualidades morais e sentimentos de altruísmo que só se vêem em raras exceções nesse nosso mundo egoísta e arcaico.

“Poderia-se fazer, nas teorias comunistas, a comunicação das aspirações grandiosas, mas seria fácil demonstrar o quanto elas são prematuras e inaplicáveis na sociedade atual. Seriam necessário séculos de cultura moral e de educação popular para levar o espírito humano ao estado de perfeição necessária a uma tal ordem de coisas (...) imbuídos de fé e espírito de sacrifício”.

Mundos superiores, são os planos celestiais invisíveis para muitos, que existem no astral, onde moram anjos, arcanjos, iluminados, espíritos de luz e afins. São mundos paradisíacos, tipo o Nirvana dos budistas e o Reino dos Céus dos cristãos.

Por isso o comunismo ainda não aconteceu neste planeta terra. Segundo o professor de filosofia francês, só daqui a muitos séculos... gostei quando ele iguala o comunismo a um estado de perfeição...

Por isso, registramos, o comunismo ainda é uma utopia religiosa... se vai se concretizar no plano físico... quem sabe daqui a alguns milênios... e se não existir mais espécie humana, é confortante saber que ele já existe nos mundos superiores...

O livro em questão foi publicado em 1998, pelo CELD – Centro Espírita Leon Denis, Bento Ribeiro, RJ.


sexta-feira, 27 de maio de 2011

Profecias de Chico Xavier... ou... já era Brasil !

Devido a minha formação kardecista acredito em Chico Xavier. Acredito também na Folha Espírita, fundada por um grande brasileiro, o deputado espírita, do antigo MDB autêntico, Freitas Nobre (1923-1990).  A edição de maio/2011, revela a entrevista que o famoso médium mineiro concedeu em 1986, mas que só agora foi publicada.

Entre outras Chico afirma que a América do Norte, deduzimos os EUA, vão invadir com “mano militari” (palavras do médium) o Brasil e ocupar o norte do país, leia-se Amazônia, a partir daí Pindorama será dividida em quatro nações.

Faz sentido, li alhures que os EUA não iriam permitir que, no quintal deles, surgisse outra grande nação.

O médium também disse que a Petrobras se tornará a maior empresa do mundo no setor, pena que – deduzo – os pobres não vão poder auferir grandes coisas haja vista a ganância, inveja, vaidade, apego que grassa em nosso rincão.

Também faz sentido. Foi só aparecer a notícia do pré-sal e “o grande irmão do norte”, como se dizia lá nos anos 1960, fez um refil da IV Frota, bem em nossas barbas, como se comenta por aí.

A longa entrevista permite várias leituras, interpretações. Cá com os meus botões vejo que, quem nasceu para colônia, o máximo que chega é a semi-colônia. Chico Xavier pondera que nós, povão, temos ainda muito o que aprender.

Certo – comentário meu: nosso carma coletivo é muito grande. Exterminamos milhares de índios, fomos os últimos a abolir a escravidão de uma forma discutível, cujos reflexos negativos estão nos preocupando até hoje. As inteligentíssimas classes dominantes brasileiras brilham há 511 anos. É como se nós, o povo, ficássemos reprovados na História. E, a se confirmar as previsões do médium, parece que sim.

Chico também diz que Jesus e os Espíritos de Luz estão na maior bronca com a espécie humana. O tal apocalipse já começou e as grandes mudanças vão aumentar a partir de 2019.

Se eu não estiver por aqui, fisicamente, estarei do outro lado, no astral, assistindo com pipoca e guaraná – espirituais é claro !

Nem todos morrerão, a entrevista lembra um antigo livro de Ramatis, psicografado, que já comentei aqui. Ficará só um terço da humanidade.





sábado, 21 de maio de 2011

Jesus e os Partidos

Um livro ótimo, o título correto é: Os Partidos Religiosos Hebraicos da Época Neotestamentária, autoria de Kurt Schubert, da Universidade de Viena, 1979, está esgotado, se pode encontrar em sebos, mas será bom a Vozes reeditá-lo.

O leitor vai ficar sabendo: “Entre os discípulos de Jesus encontravam-se, porventura, membros dos ambientes radicais anti-romanos? Que atitude assumiu Jesus diante dos grupos religiosos de seu tempo? Terá ele sofrido influência dos essênios que, em Qumrã, levavam uma vida de tipo conventual?

“A resposta a tais perguntas pressupõe que se conheçam os partidos religiosos hebraicos da época neotestamentária. O presente estudo trata desses partidos: da história que os precedeu, do nascimento deles e do significado que tiveram. Mostra como, do movimento dos assideus, que se opôs a helenização do mundo hebraico, nasceram os fariseus e os essênios”.

Ficamos sabendo também que existiam essênios radicais (página 10), os saduceus também constituíam um partido (página 15), idem para hasidim apocalípticos, macabeus, companheiros fariseus, haviam dissidentes e secessionistas, diversos grupos (página 29), sediciosos, zelotes, sicários, insurretos.

“É difícil reduzir a um denominador comum os grupos hebraicos que se sublevaram contra Roma, porque eles lutaram violentamente não só contra Roma, mas também entre si” (página 77).

O historiador Flávio Josefo, da época, fala em um grupo “homens com punhal” que usavam táticas de guerrilha.

Alguns grupos eram “partidos revolucionários anti-romanos”. Certa feita foi registrado um documento por Ananias, de descendência sacerdotal: “Reza pela paz do império (isto é, de Roma) porque, sem o temor que ele incute, qualquer um já haveria devorado vivo o seu próximo” (página 79).

Perguntamos o que significa a frase acima: canibalismo?

Uma obra reveladora !

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Qual é o plural de gol?

Parabéns ao ministro da Educação que manteve a distribuição do livro em questão, parabéns aos autores da obra Por uma Vida Melhor, que colocou na mesa um tema ótimo: a questão da gramática e da lingüística; parabéns ao Marcos Bagno, professor da UnB na área, parabéns aos alunos que vão estudar no citado volume, parabéns aos pais e responsáveis por esses alunos, e... como sou budista... parabéns aos que são contra.

Veja no magnífico Dicionário Houaiss o vocábulo gol, entrou para a nossa língua portuguesa em 1904. Mestre Houaiss esclarece quanto ao plural: “gols é um barbarismo consagrado pelo uso”

Já outro mestre, Aurélio, em seu também excelente Dicionário ensina que “barbarismo é erro de pronúncia, grafia, forma gramatical ou significação”.

Interessante que todo mundo lê, fala, escreve, comenta os “gols da partida” e ninguém fica escandalizado.

Ainda sobre o plural de gol, o Dicionário Aurélio afirma as duas formas certas: “gois e golos. É incoerente o plural gols, para uma palavra aportuguesada. Contudo, parece-nos difícil que se venha a fugir desse barbarismo, tão arraigado está”.

Para colocar mais lenha nessa fogueira do barbarismo, os professores gaúchos Édison de Oliveira e Maria Elyse Bernd, em Escreva Certo, L&PM Pocket, 2002, explicam:

“O vocábulo inglês goal, há muito tempo, foi aportuguesado para gol (ou golo). Mas... e o plural?
Goles, gois, golos ou gols?

Todas essas formas, exceto a última, são coerentes com os processos de formação do plural segundo nossa gramática. Goles ajusta-se à norma pela qual substantivos terminado em L podem formar o plural com o acréscimo de es. Exemplos: Cônsul, cônsules; mal, males; gol, goles.

Gois enquadra-se no princípio de acordo com o qual os substantivos terminados em L também podem formar o plural em ois. Exemplos: farol, faróis; álcool, álcoois; gol, gois.

Golos, supondo-se para o singular a forma golo, é também perfeitamente aceitável. Exemplos: rolo, rolos; bolo, bolos; golo, golos.

A única forma incoerente em relação à nossa tradição gramatical é, infelizmente, aquela que o uso consagrou: gols. Em Português é tão absurdo dizer gols como dizer farols e álcools. Entretanto, esse fato está tão arraigado em nossa língua, que será muito difícil superá-lo. (páginas 83 e 84)”.

Como dizia o grande poeta Manuel Bandeira: “a língua certa do povo, a língua errada do povo”.


quarta-feira, 18 de maio de 2011

A Linguística no Astral

Ontem à noite, na sessão espírita costumeira, tivemos a honrosa visita de dois grandes e esclarecidos espíritos: Ferdinand de Sausurre (1857-1913), conhecido como o pai da Lingüística Moderna e Pânini (520-460 antes da Era Comum), o mitológico gramático lá da Índia.

Sorridentes e felizes estão adorando esse qüiproquó que andam fazendo no Brasil a partir de um livro didático distribuído pelo MEC. Foi uma noite rara, onde conversamos com dois amigos e irmãos espirituais: um lingüista e um gramático.

Como antiguidade é posto, primeiro ouvimos o mestre Pânini: “o que os irmãos brasileiros não estão entendendo, é que aquelas louçanias da linguagem, típicas de um Coelho Neto, Olavo Bilac e outros que tais, não existem mais, simplesmente porque este Brasil não existe mais, está acabando, está mudando, está dissolvendo-se, pois tudo o que é sólido desmancha no ar e a língua não é sólida e mesmo que fosse, meus colaboramores”.

“Meu contemporâneo e conterrâneo, mestre Sidarta Gautama, o Buda” – continuou Pânini -, “certa feita declarou que tudo muda e é preciso olharmos as coisas como elas são, logo as mudanças existem. Para o bem ou para o mal é outra coisa, como antigamente vocês falavam aí, são outros quinhentos. E a língua e a grafia vão acompanhar essas mudanças, para o bem ou para o mal, de forma construtiva ou destrutiva, quem decide é o povo, por ser maioria”.

 “Está nascendo um novo Brasil meus irmãos – disse o espírito Saussurre – e eu vejo nessa arte de falar e grafar “errado” uma certa ideologia, uma certa luta de classes. Já que não nos permitem há 511 saborear as belezas dessa nação, vamos fazer uma danação a começar pelo idioma. Antevejo outros brasis e não só o atual.

“Na minha qualidade de vidente – continuou o filósofo suíço -, a persistirem estes sintomas, como dizem os reclamos da publicidade, teremos em futuro não muito distante, o início de duas línguas, quiçá mais, em vosso país. A língua dos ricos, mais para o quinhentismo Camoniano, Eça de Queiroz e outros galardoados; e a língua do povão, da massa mais para a anarquia lingüística modernista-antropofágica. Breve as classes sociais estarão falando os seus idioletos e iremos todos nos entender através da telepatia. O que vai ser um maná para os pesquisadores”.

Não crucifiquem o ministro da Educação, nem os autores da referida obra, nem os professores, nem os alunos - disseram os dois doutos irmãos – sinal dos tempos, queridos !

Oremos.


sexta-feira, 13 de maio de 2011

Heidegger e o Pensamento Asiático

Será muito bom quando, uma editora do Brasil ou de Portugal, traduzir e publicar Heidegger and Asian Thought, organizado por Graham Parkes, 1987, University of Hawai´i Press, 282 páginas. Em nossa língua portuguesa este ótimo livro está atrasado vinte anos.

Nele ficamos sabendo sobre as relações entre a obra do famoso pensador alemão com o Budismo Mahayana, com o Zen-Budismo, com o Vedanta da Índia, com as teorias do Karma, com o Taoísmo, com o Tao Te King, com os pensadores chineses Lao Tsé e Chuang Tzu, com a filosofia japonesa do século XX etc.

Fruto de um seminário que aconteceu na Universidade do Hawaii, com Heidegger ainda vivo, ele foi convidado mas, por estar muito idoso não compareceu.

Este volume, inexplicavelmente ainda inédito em nosso idioma, traz novas luzes para a leitura, interpretação e compreensão do pensamento e da obra do filósofo da Floresta Negra, Martin Heidegger.